Salar de Uyuni - Bolívia - O maior Salar do mundo.

  • 04 de janeiro de 2017


Localizado no departamento de Potosí, na Bolívia, o maior salar do mundo é surpreendente, seja pelas belezas inesperadas, ou seja pelas experiências únicas as quais o visitante é convidado a compartilhar.

 

Com, aproximadamente, 10582 km² de área e 10 bilhões de toneladas de sal, o atual deserto fazia parte de um gigantesco lago pré-histórico.

 

Há diversas formas de se chegar ao Salar. No meu caso, resolvi colocar a visita no meu roteiro quando fui para o Deserto do Atacama, no Chile. O ponto de partida é em São Pedro de Atacama e o tour pode durar 3 ou 4 dias. No tour de 3 dias, o passeio é finalizado na cidade de Uyuni, na Bolívia, de onde se pode pegar um ônibus, trem ou avião rumo a La Paz. Já o tour de 4 dias retorna para São Pedro.

 

 

Na cidade aconchegante em pleno deserto do Atacama opções de turismo não faltam. Aliás, esse foi o único "arrependimento" da viagem. Já tinha em mente que iria visitar o Salar, por tanto, tive apenas 2 dias para conhecer a região de São Pedro - com tanta opção do que fazer, gostaria mesmo de ter ficado uma semana inteira.

 

O primeiro passo para se chegar ao Salar é a escolha da agência turística que vai fazer o passeio. Caminhando pela Caracoles (rua principal da vila) você enxerga diversos cartazes vendendo o tour. Ainda no Brasil, já havia pesquisado um pouco pela internet e tinha consciência de que a estrutura durante o tour era tanto quanto precária. Por esse motivo, e por ser a primeira vez no país, decidi contar com a ajuda da equipe do Ayllu Hostel e Expedições. Flavia é uma brasilera super solícita que é casada com Mike, um chileno simpático. Juntos, eles gerenciam o Ayllu, que além de hostel e agencia de tours, é também uma ótima opção de restaurante com pratos típicos da região. Fechei o pacote com eles e no dia seguinte embarquei para aquela que se tornou a maior aventura que já vivi.

 

Primeiro dia

O transfer chegou pontualmente às 8 da manhã no hostel em que estava hospedada. A agência organiza grupos de até 6 pessoas, que foram os companheiros no carro durante todo o percurso. Fomos para a fronteira do Chile e passamos pelas aduanas. Em território boliviano, a aventura começa.

 

O passeio inteiro é baseado em um roteiro fechado e decorado pelo motorista do carro 4x4. Esses bolivianos são impressionantes. Sem mapa, GPS ou qualquer tipo de instrumento, eles são capazes de se localizar em meio ao deserto que não conta com nenhum tipo de informação ou placas. Nosso motorista já estava trabalhando com isso há mais de dez anos e se guiava pela experiência acumulada de tantas visitas.

 

Se, inicialmente, a paisagem parecia não ter mudado tanto, bastou chegarmos à primeira parada do tour para começar a sessão de fotos e as infinitas expressões de "não acredito! Isso é muito lindo!". O roteiro do primeiro dia contempla Laguna Blanca, Laguna Verde, Deserto de Dalí, Águas Termales, Geiser Sol da Mañana e Laguna Colorada.

 

 

Laguna Branca.

 

 

Neste dia, dormimos em uma hospedaria na Laguna Colorada. A primeira noite foi, sem dúvidas, a mais difícil. Estávamos no ponto mais alto do tour, cerca de 4.300 metros. Para completar, fomos no inverno (mês de julho). O local que dormimos era uma casa simples, com vários quartos amplos que abrigavam 6 ou 7 camas em cada. As camas tinham mantas e cobertores, mas não foi o suficiente. Sem água quente para banho ou calefação nos quartos, dormimos muito mal com a temperatura ambiente de -20 graus. Aqui vale uma forte recomendação: é muito difícil aguentar o tour do salar sem casacos, meias e botas que aguentem o frio que faz durante a noite. É bom levar sacos de dormir térmicos (algumas agências alugam durante a viagem).

 

Segundo dia

 

Acordamos cedo e seguimos para o Árbol de Piedra e formações rochosas que existem ao redor. Depois, seguimos às Lagunas Altiplanicas (Honda, Chiarcota, Hedionda e Cañapas), Salar de Chiguana e o povoado de San Juan.

 

Laguna Verde.

 

As belezas naturais são indescritíveis. A natureza simplesmente faz todo e qualquer desconforto valer a pena. O cenário das lagunas em meio ao mar de areia; a delicadeza e as cores dos flamingos; a coloração do deserto que torna montanhas de terra em telas perfeitas; tudo isso é pouco e difícil de explicar.

 

 

Nesse dia, dormimos em uma hospedaria de sal próxima ao povoado. O chão era todo de pedrinhas de sal grosso. As camas e paredes eram feitas de tijolos de sal. O branco salino recebeu toques coloridos das mantas e artesanatos bolivianos. A noite já não foi tão gelada. Já havia maior interação entre os turistas de cada grupo. Música, conversa fiada e vinho acompanharam o céu maravilhoso que tinha uma estrela cadente por minuto.

 

Terceiro dia:

 

Finalmente, chegou o dia de conhecer o Salar. Já estava bastante impressionada com tudo que tinha visto, mas a natureza ainda guardava muitos presentes. Acordamos de madrugada para poder ver o nascer do sol. Alguns grupos preferiram ficar dormindo um pouco mais - uma pena.

 

Assistimos o sol aparecer na Isla do Pescado. A ilha é na realidade um monte rochoso repleto de cactus. Recebe esse nome porque, visto do alto, o salar parece um grande mar. As cores do nascer do sol são incríveis nesse lugar.

 

Seguimos o roteiro rumo à região central, onde estacionamos e nos divertimos bastante com as fotos clássicas que brincam de ilusão de ótica devido a visão plana proporcionada pelo sal. Depois das fotos, paramos no povoado de Colchani para comprar artesanatos, visitamos o cemitério dos trens, fomos a cidade de Uyuni e seguimos viagem retornando para a fronteira do Chile. Dormimos em mais uma hospedaria próxima ao povoado de Villa Del Mar.

 

Quarto dia

 

O último dia é apenas na estrada. As paisagens pelas janelas continuam a impressionar. Vimos várias criações de lhamas durante o percurso da volta. Apesar de cansados, estávamos muito satisfeitos e impressionados com tudo. Foi hora de ouvir boas histórias do motorista e dos companheiros de viagem. Chegando à fronteira entre Bolívia e Chile, pegamos o transfer em direção a São Pedro.

 

Dicas Importantes:

 

- É sempre bom negociar o tour para o Salar. Quando fui, paguei algo em torno dos 90.000 pesos chilenos (julho/2014).

 

- A alimentação durante o tour é por conta da agencia (café da manhã, almoço, chá da tarde e jantar). Tem dias com cardápios bons e outros nem tão bons assim. Recomendo levar água e lanchinhos do seu gosto.

 

- É preciso lembrar que é um passeio no meio de um deserto. Logo, não se pode esperar uma ótima estrutura e conforto. São 4 dias intensos e que super valem a pena.

 

- Protetor solar, protetor labial, hidratante, soro para olhos e nariz são importantes.

 

- Roupas leves e confortáveis, calçado que não machuque os pés, casacos quentes, casacos mais leves e se vestir em camada, estilo "cebola".

 

-Tirar várias fotos, mas, sobretudo, admirar e aproveitar a experiência de estar em um lugar tão único. Tenha certeza que viagens assim deixam saudades.

 

 

Espero que tenham gostado das dicas.

 

Até mais.

 

Post feito por: Ana Beatriz Rosa.



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Sobre o Autor

Ana Beatriz Rosa

Ana Beatriz Rosa é estudante de jornalismo. Deseja conhecer o mundo inteiro, atualmente reside em São Paulo, mas sempre carrega a sua Bahia no coração. Tem 20 anos, adora descobrir coisas, lugares e histórias novas e, principalmente, escrever sobre elas.


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