Marcio no Mundo




Dicas do Vale do Douro: um destino para os apaixonados pelo enoturismo


Publicado em 19 Abr 18



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Do seu nascedouro na Serra de Urbión, na Espanha, a 2080 metros de altitude, até a foz entre as belas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, o Rio Douro percorre longos 897km cortando a região norte de Portugal até chegar ao oceano atlântico. Mas é na Ponte da Régua, que liga as cidades de Peso da Régua e Lamego, o ponto de partida para um dos roteiros de vinhos mais apaixonantes do planeta: o Alto Douro Vinhateiro, que agrega mais de 115 castas exclusivamente portuguesas.

 

 

Não foi por acaso que em 14 de dezembro de 2001, a região se tornou Patrimônio da Humanidade, título atribuído pela UNESCO na categoria paisagem cultural. O caminho até lá já mostra que ela é um dos pontos fortes da viagem. Para quem vai do Porto, são menos de 120km pela Autoestrada A4 passando pelas cidades de Amarante e Vila Real. Uma bela região de montanhas, entre picos com neve e cenários deslumbrantes. Em alguns trechos do caminho a proximidade dos pontos mais altos é tanta que o asfalto fica coberto pelo gelo em alguns locais como encontramos no final de março, retornando da região.

 

Na ida, para percorrer os mais de 330km a partir da capital, alugamos um carro no Aeroporto pela manhã e partimos de Lisboa pela A1, principal autoestrada de Portugal, até o Norte de Coimbra onde seguimos em direção a Viseu, rumo ao Douro. É aí que a paisagem começa a se transformar: montes e vales verdes encontram afluentes e lagos, formando a bela rota panorâmica que antecede os vinhedos. 

 

Chegando aos arredores da Ponte da Régua, já ficamos encantados com o clima da região. Um pacato vilarejo nas margens do Douro do lado de Lamego dá as boas-vindas aos visitantes com pequenos restaurantes, lojas e mirantes onde a maioria estaciona para as primeiras fotos. Tudo muito tranquilo, sem muita gente, nenhuma aglomeração, tampouco as multidões comuns em destinos turísticos europeus, mesmo no feriado da Páscoa. Do lado da Régua, um centro de informações turísticas interativo recebe os turistas com uma estrutura moderna, totens de autoatendimento, loja de souvenirs e até serviços de reservas de tours e passeios. 

 

 

Seguimos desta área central pela margem do rio por alguns minutos direto para o Restaurante “DOC – Janela sobre o Douro” do estrelado chef português Rui Paula. Não poderíamos ter começado melhor: o restaurante é um píer debruçado sobre o Douro, possui varanda externa para quem deseja sentar ao ar livre e a parte interna muito bem decorada onde fica a adega central e a cozinha, que pode ser acompanhada por monitores que ficam espalhados pelo restaurante no melhor estilo reality show. Optamos pela parte interna, recomendação do restaurante para todos os clientes, já que o tempo estava bastanteinstável do lado de fora com possibilidade de chuva.

 

Doc varanda - foto site oficial

 

O cuidado com os mínimos detalhes já ficou evidente desde o momento em que fomos levados até a mesa. Os garçons utilizam luvas para arrumá-la e posicionar pratos, talheres e taças. Quanto ao cardápio, é possível escolher entre dois menus degustação, Douro e Signature, ou fazer os pedidos à la carte com opções vegetarianas, mar e terra. Optamos por pedir 3 pratos, os mais indicados de cada seção do cardápio e não nos arrependemos. O chef gentilmente sugeriu dividir cada prato para o casal de forma que pudéssemos provar de todos. 

 

A segunda missão, escolher o vinho, foi um pouco mais difícil. A extensa carta premiada em vários anos como a melhor da região acolhe mais de 700 rótulos do Doro, desde os míticos como o Barca-velha até exemplares de pequenos produtores, tudo ordenado por regiões e castas. Para facilitar, nossa dica é ir até as páginas “Grandes Vinhos”, que possui opções de destaque para todos os gostos e bolsos. Não tem erro. Escolhemos o GouvyasDouro safra 2007, excelente. 

 

 

Antes dos pratos chegarem à mesa, o chef enviou duas entradas de boas-vindas para abrir o apetite: um mini-hambúrguer de leitão excepcional e uma espécie de canapé com um peixe defumado da região e compota de laranja, muito bom.

 

 

O primeiro prato servido, foi da seção vegetariana do menu: uma massa de espinafre com queijos portugueses. Como somos apaixonados por queijos, adoramos. Funcionou muito bem como primi piatti.

 

 

O segundo prato, da seção “mar” do menu foi a grande estrela da tarde: o polvo grelhado com infusão de azeite extravirgem e alho foi certamente um dos melhores (ou até o melhor!) que já comemos na vida. Crocante por fora, tenro e saboroso por dentro. Polvo bom em Portugal é regra, mas este estava fora de série!

 

 

O terceiro prato, da seção “terra” do menu, foi a perna de cabrito assada com arroz no próprio molho no forno. Clássico da casa que não decepciona.

 

 

Por fim, pedimos a sobremesa: chocolate e café com crocante e avelã. Mas antes de chegar o pedido, recebemos um mimo com votos de felicidades pelo nosso aniversário de casamento que era exatamente no dia. Uma sobremesa chamada explosão de frutas vermelhas, uma das sensações mais diferentes que a gastronomia já nos proporcionou. Além de deliciosa, a sobremesa fica explodindo sem parar como fogos na boca, é muito interessante.

 

 

Logo após, a sobremesa que havíamos pedido (chocolate e café) chegou até a mesa, estava igualmente divina e fechou com chave de ouro nossa experiência no DOC.

 

 

Ou melhor, achávamos que iria fechar pois ainda tivemos mais uma pequena surpresa pós-sobremesa(s): a “caixa de joias” da casa. São realmente preciosas. Reservas diretamente no site do restaurante: docrestaurante.pt

 

Finalizado o almoço, seguimos para hotel. Como era nosso aniversário de casamento, escolhemos viver mais uma vez a experiência do grupo asiático Six Senses, que escolheu o Douro para abrir seu primeiro hotel no ocidente. Já havíamos nos hospedado no Six Senses Yao Noi na Tailândia e ficamos encantados com o foco na empatia e a capacidade de surpreender do serviço. O outro fator de destaque é onde os hotéis da marca se instalam, sempre em locações exclusivas e de beleza única no mundo. No Six Senses Douro Valley não é diferente, o hotel está situado numa quinta do século XIX, circulado pelas montanhas, videiras e com o Douro logo a sua frente.

 

 

Logo no check-in fomos recebidos com uma taça de vinho do porto produzido na propriedade, que pode ser apreciado em uma linda sacada com vista para o Douro.

 

Em seguida, a nossa GEM Daniela nos levou para conhecermos as áreas comuns do complexo e apresentar a nossa suíte. Muitos hóspedes definem a figura do GEMnos hotéis Six Senses como mordomo em avaliações na internet, mas na verdade GEM é a sigla para GuestExperience Maker, ou seja, o gestor pessoal da sua experiência no Hotel. O GEM atende não apenas às necessidades específicas da hospedagem, como providenciar algo que o hóspede necessite no quarto ou enviar alguém para passar o vestido antes do jantar, por exemplo, mas também planeja, sugere e programa e todas as atividades do seu dia de acordo com o seu perfil, sejam elas dentro ou fora do hotel. O GEM pode organizar desde uma reserva para um passeio até um pic-nic exclusivo nas margens do Douro.

 

 

Descemos do 8º andar (entrada) para o 5º e a partir dele fomos caminhando pelas áreas comuns do hotel. Passamos por vários ambientes, tudo bem intimista e com um clima de paz e tranquilidade sem igual. Destaque para a piscina interna e o espetacular Spa, marca registrada da rede SixSenses, além do Wine Library, com uma adega impressionante e seu espaço exclusivo para as degustações. O restaurante Vale de Abraão e a horta orgânica que o abastece com produtos frescos também encantam à primeira vista. Após conhecer todo o hotel, Daniela nos levou até o quarto e nos lembrou da nossa primeira atividade agendada: degustação de vinhos nofinal da tarde.

 

 

As degustações ou “prova de vinhos” como falam os portugueses são as atividades mais buscadas pelos hóspedes. Entre os vários formatos disponíveis estão opções bem interessantes como a prova de castas portuguesas, incluindo os principais tipos de uvas do país, a prova de vinhos de norte a sul, um passeio pelas regiões produtoras mais importantes de Portugal, a prova batalha de vinhos do porto, entre outras. Como queríamos conhecer mais sobre a região, optamos pela prova “uma viagem ao longo das três sub-regiões do Douro”.

 

 

No Wine Library com as taças e um pequeno mapa da região sobre a mesa, conhecemos e sentimos as características de cada uma das 3 sub-regiões do Douro: o Baixo Corgo onde as uvas tem mais acesso a água, produzindo vinhos mais frescos e simples; o Cima Corgo, onde o acesso a água é mais restrito, implicando em uvas mais resistentes e vinhos mais complexos; e o Douro Superior onde há períodos em que chove menos que no deserto do Saara. A degustação foi excelente, pois além de saborosa nos trouxe muitas informações interessantes sobre a história e os vinhos da região. Fechamos a noite com um jantar no restaurante Vale de Abraão ao som de uma música ao vivo muito agradável.

 

 

O dia seguinte já começa muito bem no Six Senses, a vista para o Douro ao despertar faz qualquer pessoa começar a manhã com o pé direito e disposição total. Como o quarto é completamente automatizado e controlado por um smartphone, você já começa o dia com uma mensagem do seu GEM sugerindo atividades oportunas para o seu dia. Vale lembrar que o hotel deixa com o hóspede uma programação geral com atividades que vão desde caminhada nas margens do rio a um passeio de bicicleta pelas videiras, incluindo horários para sessões de Ioga e outras atividades de relaxamento, bem como uma série de programas exclusivos que podem ser contratados a qualquer tempo.

 

 

O tempo e temperatura estavam bem amenos, então decidimos aproveitar a manhã circular pela área externa do hotel, passeando pelas videiras e chegando até a margem do Douro. Em cada área que passávamos, descobríamos novos lugares ainda mais agradáveis. O SixSenses é realmente surpreendente. Reservas podem ser feitas utilizando os links à direita do blog.

 

 

Sexta-feira da Paixão e seguimos do hotel para visita comalmoço harmonizado na Quinta do Crasto em Sabrosa, uma das mais tradicionais da região e mais famosas de Portugal. Com produção anual de mais de 1 milhão e 400 mil garrafas, sendo 75% delas destinadas a mais de 50 países no mercado internacional, a expectativa de uma quinta bastante comercial era natural. Mas o que encontramos após uma sinuosa estrada em meio às videiras foi uma recepção ímpar. E uma vinícola estrategicamente posicionada no alto com uma dasmelhores vistas do curso do Douro aos seus pés.

 

 

Fomos recebidos de forma muito atenciosa pela equipe da quinta, que nos proporcionou uma das experiências mais interessantes em matéria de visita a vinícolas. Fomos acomodados em uma sala de estar e jantar privativa, de forma que a sensação era a de ser recebido na casa de alguém e não em um estabelecimento comercial. A decoração da sala com fotos da família, porta-retratos com imagens da região no passado, livros, móveis, aparelhos eletrônicos e objetos antigos, transmitia a impressão de sermos visitas na casa dos proprietários.

 

 

A mesa do nosso almoço já estava posta, mas fomos acomodados nos sofás da área de estar do ambiente, na mesa de centro foram servidas as entradinhas frias. Um delicioso salmão defumado, alguns embutidos frescos, além de azeitonas e amêndoas cultivadas na propriedade. Tudo isso harmonizado com um vinho branco bastante refrescante. Enquanto começávamos as atividades foi servida a primeira entrada quente: a Alheira, um embutido de frango defumado bastante interessante. Foi criado pelos judeus que chegaram ao interior de Portugal no século XV após muitos serem expulsos pelos reis católicos na Espanha. A receita original utilizava o frango para fazê-lo se passar por porco, já que os judeus não comem carne suína. Desta forma, criou-se um chouriço que passava despercebido aos olhos da inquisição católica. Com o tempo, a Alheira caiu no gosto popular e acabou se tornando uma das receitas mais tradicionais da cozinha portuguesa.

 

 

Enquanto estávamos no sofá foi servido o primeiro tinto da tarde. Após finalizarmos as entradas, descobrimos que esta era só a primeira parte dessa etapa, pois em seguida fomos convidados para a mesa onde foi servida uma sopa de legumes orgânicos da própria horta, acompanhada de pães artesanais com dois azeites produzidos na Quinta do Crasto, ambos espetaculares. Um segundo tinto foi servido para acompanhar.

 

 

Finalizadas a intermináveis entradas, enquanto conversávamos sobre a quinta com os gentis funcionários da equipe, o almoço foi preparado e servido. Este é o único prato que o cliente escolhe, o que inclusive deve ser feito com antecedência e para toda a mesa. Isto é, todas as pessoas incluídas na reserva devem almoçar o mesmo pedido e este deve ser confirmado até 48h antes da data reservada, escolhendo entre as opções enviadas por e-mail pela quinta. Por ser Sexta-feira da Paixão e pela tradição do país escolhemos o bacalhau na nata, que não decepcionou. A sensação de estar em casa só aumentou quando o prato foi servido em uma travessa grande no melhor estilo almoço em família.

 

 

Destaque para o vinho que acompanhou o prato principal. Um Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, um blend de mais de 25 castas portuguesas após 18 meses em carvalho francês, certamente o melhor da tarde. Na sequência fomos convidados ao sofá novamente para as sobremesas: queijo serra da estrela (preferido de Paula), queijo da ilha de São Jorge, queijo do azeitão (meu preferido), marmelada da casa (excelente), uma espécie de mousse de abacaxi e frutas frescas. O vinho do porto que acompanhou foi o que mais gostamos entre alguns que pudemos provar na região do Douro.

 

 

Sobre os vinhos no almoço harmonizado, um detalhe: todas as garrafas ficam na mesa após servidas as taças para degustação. Ou seja, você pode repetir quantas vezes quiser o vinho que mais gostou, o que, além de um perigo, não é algo tão comum em degustações e almoços harmonizados em vinícolas. Finalizada a maratona gastronômica, fomos conhecer as instalações da quinta e a loja. 

 

No trajeto, conhecemos mais sobre sua história e vimos que é possível se hospedar no local. As quatro suítes disponíveis normalmente são ocupadas por grandes importadores ou representantes de seus clientes (varejistas, restaurantes, etc). É possível tentar uma reserva pelo setor de enoturismo no site, mas não é garantido conseguir a hospedagem, pois não é a prioridade da quinta funcionar como hotel para turistas. Outra atividade que não é regular, mas pode acontecer se houver disponibilidade no período da vista é a pisa das uvas. A tradição de pisar as uvas permanece viva até hoje, já que é a forma de macerar sem quebrar as sementes.

 

foto da pisa da uvas – site six senses / quinta crasto

 

Quem deseja viver essa experiência deve visitar a quinta entre o fim de agosto e durante o mês setembro. E no local verificar a disponibilidade. Outras quintas na região oferecem essa experiência de forma regular em formato de passeio durante este período. Para reservas na quinta do Crasto, basta entrar em contato com o setor de enoturismono site: www.quintadocrasto.pt

 

 

Finalizando nossa visita, fomos até a famosa piscina de borda infinita da Quinta do Crasto, uma das mais icônicas do país. A beleza da piscina é complementada pelo curso do Douro. Caprichosamente posicionada para que se tenha uma sensação de continuidade com as águas do rio, a piscina faz deste lugar um dos mais fotografados da região. Mesmo sem a beleza de um dia ensolarado, entre uma brecha de nebulosidade e outra foi possível admirar a vista durante algum tempo.

 

 

Dica importante: não use o gps para chegar até a quinta, pois ele fornece o caminho mais curto em distância percorrida, porém mais sinuoso e longo em tempo para chegar. Observe os avisos no e-mail de confirmação da reserva.

 

Retornamos para Lamego, onde estávamos hospedados. Conhecida como cidade monumental, dada a quantidade de igrejas e monumentos que possui, é uma das mais antigas da região, com registros que remetem até o século VII. Sua principal atração é o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e sua imponente escadaria com quase 700 degraus.

 

E para fechar mais um dia incrível na região: vinho, é claro! Afinal de contas, viemos ao Douro pra isso, não é mesmo? Ah! E nossa menção saudosa aos queijos portugueses. Tudo bem que eles não são tão famosos quanto os de outros colegas europeus, mas são fantásticos e acompanham muito bem o que o Douro vinhateiro produz de melhor. Saúde!

 

 

Outros hotéis recomendados: Vila Galé CollectionDouro e Royal Valley Hotel.

 

Outros restaurantes recomendados: Castas e Pratos e The Wine House.

 

Outras quintas recomendadas: Quinta do Seixo e Quinta da Pacheca.

 

Outros passeios recomendados: Tour de barco pelo Douro e Museu do Douro.

 

 

Foto da capa da matéria do site wsj.com.



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Texto Escrito Por:

Tarcio e Paula Lopes

Ele Publicitário e ela Funcionária Pública que amam viajar e explorar o mundo.



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